Como por exemplo, minha compulsividade de querer ter as coisas e ao mesmo tempo pensar que é uma coisa surperflua ou então deixar para depois.
Ontem fui comprar um aparelho de jantar. Tudo pré calculado.
Tive um chá de bebe de uma das minhas meninas do televendas, e pela primeira vez em 4 meses, me perdi completamente. Se fosse em Porto Alegre ainda teria a desculpa, mas em Cachoeirinha???? Resumo da opera: depois de ficar quase uma hora e meia perdida, desisti e voltei (que nem sei como consegui achar o caminho de volta) e parei no super shopping que tem em Cachoeirinha, e foi lá, passeando, que eu me lembrei do aparelho de jantar que eu tinha visto uma semana antes na Camicado em Novo Hamburgo, mas não comprei pq meu cartão da Renner não tinha senha, e pra comprar primeiro eu tinha que fazer isso. Então fui lá e mais fácil do que eu pensava, troquei meu cartão.
Passei no Big, fiz minhas comprinhas básicas de sábado vim pra casa e fui conferir se no shopping que eu pretendia ir, tinha a Camicado. E é nesse momento que me vi um pouco da minha mãe e um pouco do meu pai.
Meu pai é um cara sonhador. Ele sempre quis dar o melhor pra gente e quando eramos crianças, eu e minha irmã do meio tivemos tudo de bom e do melhor. Morávamos numa casa grande e muito legal, mas como era perto de uma avenida movimentada, a gente não podia brincar na rua. Mas com o passar dos anos, ele perdeu muita coisa e com isso nosso padrão de vida mudou, mas mesmo assim, a gente passou bem todos os anos. Ele sempre foi impulsivo. Se ele podia, ele fazia, não esperava. Se ele queria comprar, ele ia e comprava.
Minha mãe sempre foi uma pessoa retraida. A mãe que eu conheço, não a pessoa que ela é. Ela sempre gosta de falar que sempre se sustentou, que comprava joias, que trabalhava muito bem. Mas que por acaso do destino, ela teve que parar de trabalhar e desde então ela é dona de casa. Esse parar de trabalhar por muitos anos ela jogou em cima de mim. Eu tinha 8 meses. Sempre foi medrosa. Nunca da um passo maior que a perna e faz milagre com a aposentadoria dela. Ela não arrisca. Ela primeiro contabiliza pra depois avançar.
Quando entrei na loja, eu já sabia o que eu queria e não adiantava me mostrar mais nada. Meu alvo já estava definido. Achei meu aparelho de jantar e fui depois olhar a loja. Antes de sair de casa, eu calculei quanto ia dar, se estaria dentro do meu orçamento. Na loja, me senti poderosa, como se seu tivesse o dinheiro do Bill Gates e pudesse fazer e comprar o que eu quisesse. Peguei vários itens a mais, mas na hora de pagar, deixei tudo e comprei só o aparelho de jantar.
Saindo da loja, vindo pra casa, analisei essa coisa que me deu, esse sentimento ou pensamento, não sei, sobre isso. E pude perceber que tenho uma mistura dos dois, mas aprendi a ser como a minha mãe. Tendo um pouquinho do meu pai. Me ser viu de lição pra não deixar pra amanhã o que podemos fazer hoje. Ah, mas era só um aparelho de jantar. Não, a coisa não era o aparelho de jantar, mas sim a historia do aparelho de jantar.
Ai ai, noite filosófica essa minha. Devaneios são assim!
Postando ao som de Munford & Sons, The Lumineers e Phillip Phillips.
Um comentário:
Amo suas crônicas, Luciana! Já estou ansiosa çpelo próximo texto! Beijos
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