quinta-feira, 31 de julho de 2014

Periodo de Experiência: Três meses.


Periodo de Experiência: Três meses.


Na maioria dos trabalhos que qualquer pessoa busca entrar, existe o período de experiencia.
Aquele período em que a empresa e o funcionário vão se ambientar para ver se dá certo essa parceria. E depois disso, se tudo der certo e ambas as partes se sentirem satisfeitas, o contrato de trabalho é firmado.

E hoje vence meu período de experiencia. Meus três meses de retorno Ribeirão Preto, aquela terra querida que me viu nascer. E me pergunto: Será que vou ser efetivada?

Desde o dia que cheguei, no dia 01/05 lá pelas tantas da madrugada, a certeza de que estava fazendo a coisa certa sempre foi maior que tudo. Na verdade, essa certeza sempre existiu desde o momento que, lá em Porto Alegre, eu percebi o que realmente me fazia falta, e que era hora de recuperar isso.

Voltar para casa dos meus pais, depois de oito anos morando fora e sozinha não foi uma tarefa fácil. A gente querendo ou não, cria hábitos, manias e costumes. E literalmente, do dia pra noite, tive que me readaptar a isso. Na verdade, era lembrar como era a oito anos atras. E ai foi meu primeiro erro. 

Meus pais envelheceram, meus sobrinhos cresceram e a vida andou pra todo mundo. A situação em casa não era mais a mesma de quando eu sai daqui. Eu não era mais a mesma de quando eu sai daqui. Mas incrivelmente eu me vi fazendo e agindo do mesmo jeito, igual a oito anos atras. Só que eu não sou mais aquela Luciana de antigamente. E é obvio que nesse momento, aquele monstrinho interior, começou a se debater igual criança pequena com birra em shopping center. Porque vc tá fazendo isso??? Porque vc tá dando bola pra isso?? Era isso que ele dizia pra mim. 

E mais uma vez, respirei fundo, olhei pra frente e vi que a Luciana versão 2014 é outra pessoa e que fazer papel de vitima não combina nada nada comigo mais.E foi então que me recuperei no jogo.

E dai veio o quarto. Meu quarto é um escritório onde foi adaptado uma cama pra mim. De solteiro! Minha antiga cama era de casal! Sabe, de se esparramar pela cama, confortavelmente. Consegui um guarda roupa com muito custo. Meu pai pegou a mania de guardar tudo, até bateria de celular startac da Motorola tinha no meio. Isso me causava uma agonia, uma angustia e comecei a culpar o quarto por todos os meus problemas e tristezas em relação ao mundo, pq sem quarto eu não era ninguém. E ai foi meu segundo erro.

Meus pais, mesmo com suas limitações, arrumaram o quarto pra mim - ate hoje acho que eles não acreditavam que eu teria coragem de voltar pra Ribeirão. Colchão, lençol, a procupação de tirar a poeira. E tem até ventilador! (eu sou daquelas que precisa dormir com o ventilador ligado). Com muito custo - da minha parte, diga-se de passagem - consegui arrumar meu canto, minhas coisas, minha bagunça. E hoje, durmo feliz e contente no meu quarto improvisado. Mas que fique claro, na primeira oportunidade eu vou comprar uma cama de casal. É engraçado. Quando eu não tinha namorado, eu tinha uma cama de casal, agora que eu tenho, tenho uma cama de solteiro que mal cabe eu. Coisas da vida, né!

E o meu terceiro erro? Não, esse não chegou a acontecer. Antes que ele pudesse surgir, eu tratei de espantar aquele monstrinho chato e comecei a agradecer por ter conseguido tudo isso. Pra quem não sabe, em janeiro conversando com meu pai, eu me coloquei como meta voltar para Ribeirão antes do meu aniversario. Pra quem não sabe, meu aniversario foi dia 16 de maio. E coisas pequenas como ser chofer dos meus sobrinhos, ir ver jogo deles no meio da tarde, levar e busca-los na escola, ir ao cinema com eles. Ter minhas irmãs por perto e saber que quando a coisa apertar, eu sempre terei elas para me ajudarem. Meus amigos que são parceiros para vida porque afinal de contas, ter vários amigos e por um periodo superior a 10 anos, não é para qualquer um. E o mais importante de todos: Meus pais! Eu não me canso de agradecer a Deus a cada momento, por estar ao lado deles e poder ajuda-los de alguma forma. E resgatar e ter aquilo que eu havia esquecido de alguma maneira na minha fase ermitão da montanha gelada de Santa Catarina.

Hoje, conquistei mais coisas do que eu poderia imaginar aqui em Ribeirão. E to naquela agora de que eu aceitei a cidade, e a cidade me aceitou de volta. Aos poucos, tudo está se encaixando. Acredita em destino? Eu se fosse você começava a acreditar. Tudo acontece na hora certa, no momento certo e do jeitinho que tem que ser.

Agora só me resta saber: To contratada?